Ferrari aparece cedo, e o cronômetro não mente
Charles Leclerc colocou a Ferrari SF-26 no topo da segunda manhã de testes de pré-temporada da F1 no Bahrein com 1m34s273. Não é só “um tempo rápido”: é uma volta que muda o clima do pitlane, porque veio com autoridade e, principalmente, com sensação de carro “pronto para trabalhar” desde cedo.
O detalhe que todo mundo comenta nos bastidores é o contexto do pneu. Lando Norris, que tinha sido referência na quarta-feira, marcou 1m34s669 de McLaren usando médios. Leclerc, por sua vez, girou de macios na manhã e, mesmo assim, o que impressiona não é apenas a tabela: é a forma como a Ferrari pareceu limpa nas execuções, sem interrupções grandes e com uma janela de operação que, em teste, vale ouro.
McLaren consistente, mas o paddock quer ver a repetição
Norris terminou a manhã em segundo com 1m34s784 (também de médios), e isso mantém a McLaren no radar como equipe que começa o ano com o básico bem feito: constância, programa rodando, carro previsível. A leitura nos boxes é que a McLaren não está “se exibindo” em time attack, e sim construindo base — o que, em pré-temporada, costuma assustar mais do que volta de efeito.
Ainda assim, a diferença de compostos deixa o diz-que-diz inevitável: a Ferrari está realmente forte em ritmo de uma volta, ou foi um recorte de sessão? É o tipo de pergunta que só a sequência do dia e os stints mais longos vão começar a responder.
Red Bull quase não anda, e Hadjar paga a conta
A grande sombra da manhã atende pelo nome Red Bull. A equipe completou apenas uma volta no fim da sessão, e o murmúrio dominante no paddock aponta para um vazamento hidráulico no chassi detectado durante a montagem do carro na véspera. Resultado prático: programa destruído e um prejuízo enorme de quilometragem logo no começo.
Quem mais sente é Isack Hadjar, escalado para a sessão inteira. Para um piloto em busca de afirmação, perder uma manhã dessas é perder tempo de pista e, pior, perder a chance de gerar confiança — aquela sensação essencial de que o carro responde quando você pede. A expectativa agora é de “corrida” para recuperar o máximo possível depois, mas teste não devolve horas perdidas: só empilha trabalho.
Mercedes para cedo: Antonelli para, Russell herda pressão
Na Mercedes, a manhã também terminou com gosto amargo. Andrea Kimi Antonelli completou apenas três voltas antes de um problema na unidade de potência encerrar o trabalho do restante do período. Em pré-temporada, confiabilidade não é só um item técnico — ela mexe com a psicologia do time e com a leitura dos rivais, que imediatamente farejam fragilidade.
George Russell era o nome previsto para a parte da tarde, e a pressão muda de tom: não é mais “vamos cumprir o plano”, e sim “precisamos colocar voltas no carro”. Quando uma equipe grande começa a perder quilometragem, o paddock inteira entende como sinal de alerta, mesmo que a equipe tente tratar como “coisa de teste”.
Cadillac provoca bandeira vermelha e vira assunto
A Cadillac também entrou no radar, e não do jeito que gostaria: Sergio Pérez provocou bandeira vermelha já na primeira volta de aquecimento por motivo não detalhado, embora tenha voltado rapidamente à pista depois da retirada do carro. No fim, ele completou 42 voltas, mas com 1m38s653, ficando à frente apenas de Fernando Alonso, que registrou 1m38s960 com a Aston Martin.
O que se ouve nos bastidores é que o “tamanho do projeto” ainda não se traduz em performance imediata — e aí o debate é inevitável: a Cadillac está escondendo jogo com combustível e mapa de motor, ou ainda está organizando a própria casa? Em testes, cada bandeira vermelha vira um holofote.
Alpine lidera o pelotão “do meio” e a briga esquenta
No recorte de quem rodou sem grandes dramas, a Alpine apareceu como a melhor do restante: Pierre Gasly cravou 1m36s723, à frente de Oliver Bearman (Haas), Alexander Albon (Williams), Nico Hulkenberg (Audi) e Liam Lawson (Racing Bulls). É cedo para qualquer ordem real, mas é o tipo de manhã que alimenta a narrativa de 2026: o meio do grid pode vir mais apertado, e isso costuma gerar corridas caóticas — do jeito que o fã gosta.
A sessão ainda terminou com uma simulação de Safety Car Virtual e bandeira vermelha, daqueles testes que parecem burocráticos… até virar detalhe decisivo quando a temporada começar de verdade.
O que você acha: a Ferrari está mostrando força real com Leclerc, ou é apenas um retrato de pneus e programa? Comente e siga acompanhando o Paddock Vip, porque o paddock não espera ninguém — e o próximo rumor sempre nasce quando o portão do box fecha.
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