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Ferrari corre para copiar motor da Mercedes e aceita jogo duro da F1

O truque da Mercedes que virou tempestade no paddock

O ponto de partida é simples de entender, mas explosivo nos bastidores: Mercedes e Red Bull teriam encontrado uma forma de alterar, na prática, a taxa de compressão do motor em funcionamento, criando uma espécie de compressão “dinâmica” que dá mais potência sem violar, nos testes estáticos, o regulamento da FIA. A brecha estaria ligada à forma como componentes internos – como biela e geometria do conjunto de combustão – se comportam em temperatura e carga, permitindo que o motor entregue algo além do que os rivais imaginavam possível dentro das regras.

Ferrari, Audi e Honda reagiram forte e pediram esclarecimentos, já enxergando um cenário em que 2026 poderia começar com vantagem técnica de Mercedes e Red Bull “assinada em cartório” pela própria FIA. Só que, ao validar a interpretação utilizada pela Mercedes – depois replicada pela Red Bull Powertrains –, a federação praticamente cravou que, se o motor passa nos testes de bancada, está valendo, mesmo que em pista ele se comporte de outra maneira.

De protesto a plano B: Ferrari muda o discurso

É aqui que o clima em Maranello muda de tom: em vez de seguir batendo na porta da FIA, a Ferrari começa a trabalhar para copiar o conceito e recuperar terreno. De acordo com informações da imprensa italiana e de colunas de bastidores, Enrico Gualtieri – chefe da divisão de motores da Ferrari – já deu sinal verde para o desenvolvimento de uma nova unidade de potência inspirada na filosofia da Mercedes.

O objetivo seria criar também uma relação de compressão dinâmica, com mudanças significativas na arquitetura interna do motor, incluindo modificações de biela e do conjunto de combustão, algo que exige um redesenho profundo e não apenas um “upgrade” de software ou calibração. A diferença é que, enquanto a Mercedes já teria esse conceito pronto para a estreia do regulamento em 2026, a Ferrari trabalha com um horizonte mais longo: a expectativa é ver essa versão “full” do motor apenas em 2027, depois de validar o pacote em testes internos ao longo de 2026.

Regulamento de 2026: por que isso importa tanto?

O novo regulamento de unidades de potência muda completamente o peso relativo do motor a combustão e do sistema híbrido: a partir de 2026, a F1 trabalha com cerca de 400 kW vindos do motor térmico e 350 kW do MGU-K, alcançando praticamente 50% da potência total em energia elétrica e aposentando de vez o MGU-H. Isso aumenta a importância da eficiência da combustão e da gestão de energia: mais compressão significa melhor aproveitamento do combustível sustentável, mais potência e melhor interação com o fluxo de energia da parte elétrica.

Mercedes, que sempre se destacou na era híbrida pelas soluções de unidade de potência, volta a assumir o papel de referência técnica justamente no momento em que novos fabricantes e conceitos entram no jogo – Audi, Red Bull Ford, Honda em configuração atualizada e a própria Ferrari com um projeto totalmente redesenhado. Em um cenário com MGU-K muito mais potente, baterias trabalhando no limite e consumo rígido de combustível sustentável, qualquer ganho na câmara de combustão vira ouro puro em qualificação e, principalmente, em stint de corrida.

Hamilton, Leclerc e a pressão por um motor à altura

Nos boxes, o clima é de cobrança: Charles Leclerc e Lewis Hamilton – dupla que, no papel, tem peso para disputar título – sabem que não adianta ter um carro equilibrado se a Ferrari começar a nova era já alguns décimos atrás em reta. Para Hamilton, que deixou a Mercedes, ver a ex-equipe ter tirado um coelho técnico da cartola, o constrangimento é inevitável: se o motor alemão dominar o início da era 2026, qualquer déficit da Ferrari vai virar munição no paddock.

Leclerc, por sua vez, entra na fase de maturidade da carreira, pressionado a transformar velocidade em títulos – e não quer reviver o filme de ter carro forte em curvas, mas vulnerável em velocidade de reta, como em outros ciclos da equipe. E se Red Bull e Mercedes largarem com motores mais eficientes, ainda que com conceitos distintos, o risco é ver a Ferrari repetir o papel de “melhor do resto” justamente quando o projeto parecia alinhado para voltar ao topo.

Paddock dividido: genialidade, brecha ou maledicência?

Entre engenheiros e dirigentes, o falatório é intenso: há quem veja o conceito da Mercedes como um golpe de genialidade dentro das regras, e há quem encare como mais um capítulo na longa história de zonas cinzentas exploradas até o limite – lembrando casos de asas flexíveis, mapas de motor e truques de fluxo de combustível. A leitura de parte do paddock é que, ao carimbar a solução como legal enquanto o motor passa nos testes de bancada, a FIA praticamente forçou todas as fabricantes a seguir pela mesma trilha, sob pena de começarem esse ciclo em clara desvantagem.

Ferrari, que historicamente briga tanto na pista quanto na política, desta vez parece ter entendido que o jogo foi decidido nos bastidores e que a única saída é responder com engenharia, não com dossiê. Mesmo sem abandonar totalmente a pressão nos bastidores, a Scuderia já trabalha com a narrativa interna de “não perder mais tempo discutindo” e focar no desenvolvimento de sua própria leitura da brecha de compressão.​

Impacto no campeonato e o que esperar de 2026 e 2027

Se o cenário se confirmar, 2026 tende a começar com Mercedes e Red Bull em vantagem de unidade de potência, enquanto Ferrari corre atrás com uma primeira versão de motor já atualizada, mas ainda sem todo o potencial da solução de compressão dinâmica que pretende introduzir em 2027. Isso pode significar um campeonato em que Ferrari briga por vitórias e pódios, mas precisa de perfeição em estratégia, acertos e desenvolvimento de chassi para compensar qualquer déficit de potência nas retas – especialmente em pistas como Monza, Spa e Jeddah.

Por outro lado, se a solução italiana funcionar e chegar madura em 2027, o jogo pode virar justamente quando a concorrência já estiver com o conceito mais “amarrado”, abrindo uma janela para uma Ferrari mais agressiva em mapa de motor, consumo e integração com o MGU-K. Até lá, o torcedor ferrarista vai viver entre a expectativa de ver Hamilton e Leclerc empurrando a equipe de volta ao topo e o medo de ver mais uma revolução técnica começar com a Scuderia um passo atrás – tudo isso enquanto o paddock segue cheio de rumor, diz-que-diz e sorrisos amarelos na hora de falar de motores.

E você, acha que a Ferrari está certa em entrar no jogo da compressão dinâmica ou deveria ter batido mais forte na mesa da FIA? Deixa sua opinião e continua acompanhando o Paddock Vip para cada novo detalhe dos bastidores técnicos e políticos dessa guerra de motores que promete agitar a F1 até 2030.

Redação

Jetec Infor

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