Uma foto, hotéis lotados e o poder bilionário da Aramco: os bastidores de uma especulação que pode mudar o final da temporada 2026
Imagine que tudo começa com uma simples publicação no Instagram. Um fotógrafo credenciado da Fórmula 1, curioso por natureza e atento aos detalhes que escapam aos olhos comuns, resolve checar algo que leu nos bastidores. O resultado? Um dos rumores mais curiosos e bem construídos da temporada 2026 — que mistura geopolítica, dinheiro bilionário e a obsessão da Arábia Saudita por ocupar o lugar mais nobre do calendário da categoria.
O pano de fundo é conhecido. Com a guerra envolvendo o Irã afetando diretamente o Oriente Médio, o GP do Bahrein e o GP da Arábia Saudita foram cancelados ainda em março, antes mesmo de as equipes embarcarem seus caminhões de frete para a região. A temporada que deveria ter 24 corridas agora conta com apenas 22. Uma perda significativa — especialmente para quem financiou boa parte desse circo.
A Aramco não aceita ficar de fora
Aqui entra o detalhe que transforma esse episódio em algo muito maior do que parece. A Aramco, gigante petrolífera estatal saudita, não é apenas patrocinadora do GP de Jeddah — ela é um dos principais parceiros globais da própria Fórmula 1 e ainda banca a equipe Aston Martin. Ou seja, quando a corrida em Jeddah some do calendário, não é apenas um país que perde uma data. É um parceiro comercial de peso que fica sem vitrine.
Robert Doornbos, ex-piloto holandês com ligações diretas na organização do GP de Abu Dhabi, foi quem primeiro jogou lenha na fogueira ao revelar em entrevista ao canal Ziggo Sport que há pressão crescente para recolocar Jeddah no calendário ainda em 2026 — desta vez no fim do ano. A proposta que circula nos corredores seria encaixar a corrida saudita no dia 6 de dezembro, empurrando Abu Dhabi uma semana para frente, até o dia 13. O resultado seria um bloco de quatro corridas consecutivas sem intervalo: Las Vegas, Catar, Jeddah e Abu Dhabi.
Foi aí que o fotógrafo entrou em cena. Cético, ele resolveu verificar a história de um jeito pouco convencional: pesquisou disponibilidade de hotéis em Jeddah e Abu Dhabi nas datas em questão. Num primeiro momento, os quartos estavam disponíveis a preços normais. Quando voltou a consultar horas depois, vários estabelecimentos nas duas cidades apareciam lotados ou com tarifas elevadas — o sinal clássico de que algo está sendo movimentado nos bastidores. Ele publicou a descoberta, e o falatório explodiu nas redes.
Mas será verdade?
A realidade é que o GPblog, um dos portais mais respeitados da cobertura europeia, foi a campo e desmentiu a troca. Passagens já vendidas, logística das equipes já programada, o Gala da FIA marcado para o dia 12 de dezembro e a cláusula contratual de 15 anos que garante a Abu Dhabi o direito de fechar a temporada são obstáculos concretos demais para serem ignorados. Disponibilidade de hotel, por si só, não vale como prova de nada.
Mas no mundo da Fórmula 1, muitas vezes a fumaça aparece antes do fogo. O poder comercial da Aramco é real, a pressão saudita para reconquistar seu espaço no calendário é real, e a vontade da Liberty Media de manter esse relacionamento bilionário também é muito real. Com o campeonato de pilotos ainda em aberto — Mercedes dominando, Verstappen ameaçando sair e o GP de Miami batendo à porta em 3 de maio — qualquer reviravolta no calendário do segundo semestre teria impacto direto na disputa pelo título. Você acredita que Jeddah volta ao calendário em 2026? Deixe sua opinião nos comentários e continue acompanhando o Paddock Vip para todas as atualizações dessa história!
