Brasileiro destaca confiabilidade após Barcelona, e Audi soma 122 voltas no Bahrein
A quarta-feira (11) em Sakhir teve cara de “missão cumprida” para quem vinha de dias turbulentos. Depois dos shakedowns em Barcelona marcados por contratempos e interrupções, a Audi saiu do primeiro dia de testes de pré-temporada com um número que, nesse momento do projeto, vale quase como troféu: 122 voltas completadas. E, no paddock, todo mundo sabe o que isso significa em fevereiro: menos foto bonita e mais dado real, mais coleta, mais correção, mais chance de começar o ano sem apagar incêndio no domingo.
Bortoleto, que acompanhou de perto as dores de cabeça recentes, tratou a quilometragem como “grande progresso” e fez questão de elogiar a evolução na confiabilidade. Não é um detalhe pequeno. Quando um carro nasce “temperamental”, a equipe vira refém da própria agenda: em vez de testar desempenho, passa o dia resolvendo o básico. E foi justamente esse fantasma que a Audi tentou exorcizar no Bahrein.
Ainda assim, o dia não foi perfeito — e talvez isso seja o ponto mais honesto. Nico Hülkenberg enfrentou um problema no começo da tarde e precisou retornar aos boxes, lembrando que a confiabilidade pode até ter melhorado, mas ainda não está blindada. Dentro das equipes, esse tipo de contratempo no início da sessão costuma acender um sinal amarelo: se algo falha cedo, o medo é perder a janela de simulação mais importante do dia, quando pista e temperatura permitem comparações mais limpas.
Mesmo com esse susto, a Audi terminou entre as equipes que mais rodaram. Foi a quarta no ranking de voltas, atrás apenas de Williams, Ferrari e Red Bull — um recado direto para o paddock: o projeto não quer mais ser conhecido só pelos “e se”, e sim por execução. E isso tem impacto imediato também na leitura pública do time: quando você roda muito, você controla a narrativa. Quando você roda pouco, a narrativa te engole.
Mas por que Bortoleto reforça que ainda há “um longo caminho”? Porque quilometragem não é sinônimo de performance. Completar voltas é o primeiro degrau; o próximo é entender se o carro é previsível, se responde bem a mudanças de acerto, se não “morde” pneus e, principalmente, se o pacote aerodinâmico entrega consistência em stints longos — o tipo de coisa que separa quem briga no pelotão intermediário de quem sofre para sair do Q1.
Nos bastidores, a sensação é que a Audi precisava desesperadamente de um dia “limpo” para recompor confiança interna e reduzir a pressão externa. Conseguiu parcialmente. A pergunta que fica para as próximas sessões é cruel, do jeito que a F1 gosta: esse progresso foi um passo estrutural… ou só um dia bom num projeto que ainda oscila? O campeonato de 2026 não vai esperar.
Comenta aqui: você acredita que a Audi vai surpreender no início do ano, ou o alerta do Bortoleto já é o prenúncio de uma temporada dura? E segue ligado no Paddock Vip — qualquer murmúrio novo do Bahrein, a gente te entrega com bastidor e contexto.
