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Ferrari vira o jogo no Bahrein com traseira “genial” e asa Macarena

A peça atrás do escapamento que ninguém viu chegar

A primeira faísca desse falatório veio de algo pequeno, mas malicioso: um apêndice logo atrás do escapamento, batizado pela Ferrari de flow turning device. Em termos simples, é um direcionador de fluxo pensado para domar e explorar ao máximo o ar que sai da parte de baixo do carro, na região crítica do difusor.​

Na prática, a Ferrari mexeu na arquitetura interna – diferencial, semi‑eixos e transmissão empurrados mais para trás e inclinados de forma diferente – para abrir um “corredor” extra de carroceria logo após o difusor, como se ele fosse virtualmente maior do que o regulamento deixa parecer. Isso permite que o ar que sai do assoalho acelere ainda mais, aumentando a pressão para baixo e, consequentemente, a aderência traseira nas fases mais sensíveis da volta.​

Esse novo elemento atrás do escapamento entra como maestro desse fluxo: ele organiza a mistura de gases quentes e ar vindo do difusor, energiza essa região e ainda direciona parte desse fluxo para a parte inferior da asa traseira, reforçando o efeito aerodinâmico sem, em tese, quebrar nenhuma linha do regulamento. Não é um retorno puro ao escapamento soprando asa dos anos 2010, mas sim uma reinterpretação moderna, encaixada nas brechas da nova regra de 2026 que limita perfis atrás do eixo, mas deixa espaço para criatividade milimétrica.​

O detalhe mais incômodo para os rivais? Isso não é uma peça que se copia em duas corridas: é um conceito que nasce do layout mecânico inteiro, exigindo redesenho de transmissão, estrutura e refrigeração se alguém quiser replicar. Ou seja, mesmo que o paddock inteiro tenha fotografado, pouca gente consegue “colar” esse truque a tempo da abertura da temporada.

A asa que vira ao contrário e o apelido de “Macarena”

Se o apêndice do escapamento colocou a Ferrari no centro da conversa, a asa traseira virou headline mundial: um elemento móvel que não só achata na reta, mas gira tanto que parece literalmente virar de cabeça para baixo, a ponto de até o logo na asa aparecer invertido nas fotos.

Fred Vasseur, em tom bem típico de chefe que sabe que colocou fogo no paddock, apelidou o dispositivo de “Macarena”, numa referência ao movimento teatral da asa ao entrar no modo de baixa resistência – uma dança mecânica que chamou a atenção até de quem estava focado em long runs. Em vez do tradicional DRS que apenas abre um vão maior entre os elementos, o sistema da Ferrari utiliza atuadores para rotacionar o flap em um ângulo próximo de 180 graus ou mais, aumentando brutalmente a passagem de ar e “matando” o arrasto nas retas.

O efeito esperado é simples de entender e assustador para os concorrentes: mais velocidade final, especialmente em Sakhir, onde a reta principal e as zonas de aceleração plena podem transformar essa solução em arma de classificação e defesa de posição. E, quando se coloca isso em conjunto com uma traseira que já extrai mais downforce do difusor nas curvas, o cenário é de carro “grudado” na entrada de curva e míssil na linha de chegada.​

Não por acaso, técnicos de outras equipes já levantaram a bandeira amarela da segurança e da legalidade: um sistema tão agressivo de rotação, se travar na posição errada a mais de 300 km/h, pode transformar a traseira em passageira em plena disputa roda a roda. A FIA, claro, já prometeu analisar com lupa, porque o regulamento define o tempo de atuação da aero ativa, mas não limita claramente o ângulo final da asa – brecha que a Ferrari explorou como poucas vezes se viu na era híbrida.

A mensagem da Ferrari para o novo regulamento

O ponto central dessa dupla inovação é o recado que a Ferrari manda para 2026: em ano de reset profundo, quem unir mecânica e aerodinâmica em um único conceito tem chance de abrir um buraco técnico difícil de fechar em poucas corridas. Não é só uma asa diferente, nem só um truque no difusor: é uma traseira inteira pensada como sistema, onde escapamento, difusor, transmissão e asa trabalham em conjunto para controlar fluxo e arrasto volta a volta.​

Se a confiabilidade acompanhar a criatividade – e se a FIA der sinal verde definitivo –, a Ferrari pode entrar na primeira etapa com uma vantagem que não se apaga com “update” de meio de temporada. Mas, se surgirem problemas estruturais, falhas no mecanismo de rotação ou instabilidades em stint longo, essa dupla de soluções corre o risco de virar apenas nota de rodapé em compilações futuras de conceitos ousados que não sobreviveram ao calendário.

Enquanto isso, o clima de bastidor é claro: alguns rivais admitem, nos corredores, que subestimaram o quão longe a Ferrari iria na interpretação das regras, enquanto outros já pressionam nos bastidores por esclarecimentos rápidos da FIA. E você, que está acompanhando tudo de perto aqui no Paddock Vip, já pode imaginar: se essa “Macarena” passar no crivo da direção e a traseira soprada funcionar em corrida, o campeonato de 2026 pode começar com a Ferrari em um papel que há anos ela não assume com tanta autoridade.

Conta pra gente nos comentários: você acha que a FIA vai deixar esse conceito seguir, ou vem mudança de regra emergencial no meio do jogo? Fique ligado no Paddock Vip, porque cada reunião técnica, rumor de protesto e movimento de bastidor dessa novela Ferrari x rivais vai passar por aqui antes da luz verde em Melbourne.

Redação

Jetec Infor

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