Quem estava no Bahrein para a pré-temporada já sentiu o cheiro de assunto quente no ar: por que a Ferrari parece estar saindo do lugar como se tivesse encontrado um atalho proibido? O tipo de detalhe que, em corrida moderna, decide posições ainda antes da primeira curva — e que no rádio costuma virar aquele silêncio incômodo quando alguém pergunta “como eles fazem isso?”.
Oliver Bearman, hoje na Haas (e, detalhe importante, também com motor Ferrari), foi direto ao ponto ao observar as simulações de largada: a eficiência da Scuderia chamou atenção a um nível pessoal. Ele comparou o que viu com aquilo que considera sua melhor execução… e mesmo assim a Ferrari parecia estar em outro patamar. O britânico resumiu a sensação sem rodeios: “melhor que minha melhor largada”.
O que a Ferrari pode ter achado na largada
No paddock, quando um piloto fala assim, não é só elogio — é recado. Largada boa não vem apenas do pé direito: é casamento de embreagem, entrega de torque, mapeamento, controle de tração “legal” (dentro do regulamento), temperatura ideal, aderência do asfalto e, principalmente, a forma como a unidade de potência responde no primeiro segundo.
E aí entra um comentário que fez muita gente levantar a sobrancelha: George Russell, da Mercedes, sugeriu que a vantagem pode ter relação com uma escolha de arquitetura da Ferrari — um turbo menor. A lógica é simples e perigosa para os rivais: turbo menor tende a encher mais rápido, o motor chega antes em rotações altas e, na largada, isso pode significar aqueles metros “grátis” que viram uma ultrapassagem na freada da Curva 1.
No papel, é só engenharia. No Bahrein, vira rumor com peso de campeonato: se a Ferrari realmente acertou o ponto na resposta inicial do conjunto, ela pode transformar largadas em arma repetida — especialmente em pistas onde a posição na primeira volta define ritmo, estratégia e até vida útil do pneu.
Procedimento novo, margem maior para erro… e para genialidade
Bearman também trouxe outro elemento que apimenta o cenário: os novos procedimentos de largada. Segundo ele, está tudo mais longo e mais complexo do que no ano passado. E quando o ritual muda, muda também o “limite do humano”: aumenta a chance de uma largada ruim, mas também abre espaço para quem tem processo mais refinado, mais repetição e mais entendimento do pacote.
O britânico disse que, apesar de estar funcionando, ainda existe muita variabilidade entre uma boa e uma má largada — e que essa diferença parece maior do que nos últimos anos. Traduzindo para o paddock: quem acertar o “modo largada” primeiro vai colher resultado antes mesmo do acerto de corrida estar 100%.
O detalhe técnico que entrega tudo: ICE + MGU-K no timing certo
O ponto mais revelador da fala de Bearman foi a ênfase na combinação do motor a combustão (ICE) com a recuperação/entrega de energia do MGU-K. Esse “encaixe” é o coração do arrancar moderno: a combustão dá a base, e o elétrico entra como uma pancada de torque no momento exato. Se entra cedo demais, patina; se entra tarde demais, perde metros; se oscila, a largada vira loteria.
Ele disse que houve grande progresso desde o último teste, mas ainda sente flutuações. E esse é o tipo de frase que, para quem entende paddock, tem duas leituras: ou a Haas ainda está domesticando o pacote, ou a Ferrari já está num nível de consistência que os clientes ainda não replicaram por completo.
E quando isso acontece, nasce o diz-que-diz inevitável: será que a Ferrari encontrou um “ponto ideal” de software, de calibragem e de resposta do conjunto que os outros ainda estão tentando decifrar?
Porque, no fim, largada não é só “ganhar na saída”. É plantar medo. É fazer o rival olhar no retrovisor antes mesmo de entrar na primeira curva.
Com o campeonato de 2026 prometendo margens apertadas, um detalhe desses pode virar diferencial de corrida — e, se a Ferrari repetir essa vantagem quando valer pontos, a sensação no grid vai ser a mesma que Bearman teve no Bahrein: “como assim… melhor que a minha melhor?”
Comenta aqui: você acha que isso é mérito puro da Ferrari ou tem “pulo do gato” no pacote de largada? E fica ligado no Paddock Vip — a pré-temporada sempre revela mais do que parece.
