A francesa de 22 anos realizou um sonho — e abriu uma porta que o automobilismo esperava há décadas
Havia uma tensão diferente nos boxes da Mercedes em Silverstone na última sexta-feira (17). Não era a pressão de uma classificação, nem a adrenalina de uma corrida. Era algo mais profundo, mais raro — o peso silencioso de um momento histórico prestes a acontecer. Doriane Pin, 22 anos, campeã da F1 Academy em 2025, colocou o capacete, entrou no cockpit do W12 e se tornou a primeira mulher a pilotar um carro de Fórmula 1 da Mercedes. O paddock parou para assistir.
Um W12 com história — e agora com um novo capítulo
O carro escolhido para o teste não foi por acaso. O W12 é o mesmo monoposto com o qual Lewis Hamilton e Valtteri Bottas conquistaram o título de construtores em 2021 — uma máquina carregada de memória e significado. Nas mãos de Pin, ele ganhou um novo capítulo: 76 voltas, cerca de 200 quilômetros percorridos no traçado National de Silverstone, e um legado que vai muito além dos dados coletados.
O murmúrio dentro do paddock era de admiração genuína. George Russell e Kimi Antonelli, os pilotos titulares da Mercedes e líderes do campeonato de 2026, acompanharam tudo de dentro do box. Russell não escondeu o que viu: “Estou orgulhoso de ver a Doriane em pista — ela já estava quase flat em Copse, o que é bastante impressionante.”
Mais do que representatividade — é velocidade
Pin foi categórica ao falar sobre o que o teste significou para ela. “Pilotar um carro de F1 pela primeira vez hoje foi surreal. Fiz questão de aproveitar o dia ao máximo e dar o melhor de mim”, disse a francesa. E foi além, com uma frase que diz muito sobre quem ela é: “Ser a primeira mulher não me define, mas foi ótimo mostrar do que somos capazes.”
A postura é a de uma pilota que não quer ser lembrada apenas como símbolo — quer ser lembrada como competidora. E os engenheiros da Mercedes parecem ter recebido exatamente isso. Andrew Shovlin, diretor de engenharia de pista da equipe, destacou que ela se sentiu em casa desde as primeiras voltas e empurrou o carro ao limite com uma compostura rara para uma estreante num monoposto desse calibre.
Quase cinco décadas de espera
O feito de Pin ganha ainda mais peso quando se olha para o retrovisor da história. A última mulher a participar de um fim de semana oficial da Fórmula 1 foi Susie Wolff, em treinos livres pela Williams em 2014 e 2015. O último teste privado feminino havia sido de Jessica Hawkins, pela Aston Martin no Hungaroring, em 2023. A Fórmula 1 está prestes a completar cinco décadas sem uma mulher no grid de largada de um Grande Prêmio.
Gwen Lagrue, assessor de desenvolvimento de pilotos da Mercedes, foi direto sobre o que o teste representa para o futuro: “Tenho certeza de que veremos uma mulher correndo na Fórmula 1 nos próximos anos. E, como equipe, ficaríamos extremamente orgulhosos se esse objetivo fosse alcançado com alguém do nosso programa.”
O nome de Lewis Hamilton também aparece nessa história — e não por acaso. Pin revelou no podcast Beyond the Grid que foi Hamilton quem a inspirou a seguir no automobilismo ainda criança, assistindo às corridas com o pai. A trajetória ganhou uma volta completa, quase poética.
Fora do programa de desenvolvimento da Mercedes, Pin corre na European Le Mans Series pela equipe Duqueine na classe LMP2 Pro-Am, e tem presença confirmada nas 24 Horas de Le Mans deste ano. A pilota não está esperando — está construindo.
Para o campeonato de 2026, o impacto direto da Pin ainda não é no grid. Mas o que aconteceu em Silverstone foi mais do que um teste técnico — foi um recado para toda uma geração de meninas que assistem à Fórmula 1 sonhando em estar lá um dia. O paddock está mudando, uma volta de cada vez.
Você acha que Doriane Pin terá chance de estrear num Grande Prêmio em breve? Deixe sua opinião nos comentários! E acompanhe o Paddock Vip para não perder nenhum movimento dessa história que está apenas começando. 🏁
