Tetracampeão e monegasco disparam críticas ao modo de ultrapassagem logo na estreia em Melbourne
O primeiro Grande Prêmio da temporada 2026 ainda mal havia esfriado quando o paddock de Melbourne já fervia com um murmúrio que ninguém conseguia ignorar: a Fórmula 1 deixou de ser Fórmula 1? A provocação não veio de torcedores nas arquibancadas nem de jornalistas nas cabines de transmissão — veio dos próprios pilotos, e dos mais importantes do grid.

Charles Leclerc, durante a própria corrida, disparou pelo rádio da Ferrari a frase que tomou conta das redes sociais e do paddock de uma vez só: o botão de ultrapassagem parece o cogumelozinho do Mario Kart. A brincadeira soou engraçada por um segundo. Depois, bateu a realidade: vinha de um dos pilotos mais competitivos do mundo, em plena ação na pista, numa crítica direta ao novo regulamento técnico que a FIA prometeu ser uma revolução.
E Max Verstappen, que largou do 20º lugar depois de uma batida bizarra na classificação, foi ainda mais longe. Após cravar uma série de ultrapassagens durante a remontada até o sexto lugar, o tetracampeão não poupou palavras: “Se você curte isso, tudo bem. Mas é o que faço em casa jogando Mario Kart. Do meu ponto de vista, não aproveitei. A forma como se corre não é genuína.”
O que está por trás dessa insatisfação? O novo modo de ultrapassagem substitui o antigo DRS e funciona liberando potência elétrica extra quando o piloto está a menos de um segundo do carro à frente — podendo ser usado de uma só vez ou distribuído estrategicamente ao longo de uma volta. Na teoria, parece sofisticado. Na prática, segundo Verstappen e Leclerc, gerou um espetáculo artificial e imprevisível demais, especialmente no meio do pelotão.
O próprio Leclerc, mesmo enquanto criticava, reconheceu a camada tática que o sistema impõe: cada ativação do boost tem um preço, e o piloto precisa pensar vários passos à frente antes de apertar o botão. Isso não significa que ele aprovou — apenas que entendeu a lógica. Aceitá-la é outra história.
Do lado oposto da trincheira, George Russell, que venceu a prova e lidera o campeonato, pediu paciência. Para o britânico da Mercedes, Melbourne foi apenas a primeira aula de uma matéria longa, e cada circuito vai se comportar de maneira diferente. Russell lembrou que em Xangai, com sua imensa reta, a dinâmica será completamente distinta da vivida em Melbourne, onde o boost precisou ser dividido entre quatro trechos de aceleração.
A ironia do paddock é que os dois pilotos que mais reclamaram — Verstappen e Leclerc — terminaram, respectivamente, em sexto e terceiro. Quem ganhou foi justamente quem ficou calado e acelerou. Mas os rumores sobre a insatisfação generalizada com o novo regulamento já circulam de equipe em equipe, e a pressão sobre a FIA pode crescer bastante nas próximas etapas, especialmente se o espetáculo não convencer nas corridas seguintes.
A temporada 2026 mal começou, e o campeonato já tem dois protagonistas fora da briga pelo título — e dentro de uma guerra diferente, contra as próprias regras. Vai ser um ano longo. Acompanhe tudo aqui no Paddock Vip e nos diga: você toparia ver a F1 virar Mario Kart, desde que as corridas sejam emocionantes?
